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Ladrões de almas

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tempo para mim tempo urgente contendo a minha raiva a   minha revolta o meu desejo de pegar em armas e destruir os ladrões de almas o meu vizinho que apontou a colombiana o outro meu vizinho que maltratou a cor da pele mundo cão que me dá desesperança que alimenta a minha cobardia de assistir de olhar para o lado de fingir que finjo João Fonseca, 12/6/2025

Absurdo

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  Um absurdo não poder encontrar O calor de um abraço O teu colo, um aconchego A minha infância, Um sorriso Oh, Mãe Sentir-te e não te ver Amar-te e não te beijar Uma penitência De te ter desmerecido

Oh, Mãe, que feliz eu estou!

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  Oh, Mãe, que feliz eu estou! Tu hoje fazes anos. Como é bom estares comigo, ainda ontem vieste ao meu quarto, dar-me um beijo, preocupares-te comigo, amparares-me no teu regaço. Eu? continuo a montar o cavalo de pau que me ofereceste e a conduzir o carro telecomandado que eu tanto queria e a Amar-te Incondicionalmente. “… Fosse eu rei do mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho. – Carlos Drummond de Andrade, em “Lição de coisas”. São Paulo: Companhia das Letras, 2012."

agora eu percebo...

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agora eu percebo porque partiste cedo os teus sonhos tornaram-se meus os sonhos, esses, eu tenho medo de não ter tempo de os cumprir. como tu. mas sabes, Mãe Tu deixaste memória amo-te, aqui, ao meu lado.

Tu espreitas-me, ali à direita.

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  A janela que se rasga à minha frente mostra-me um dia bonito. Está sol, o vento não causa inquietude nas árvores. Invade-me uma calma, uma alegria desmedida. Só podes ser tu. Tu espreitas-me, ali à direita, A sorrir. Continuas, linda, a mostrar-me o caminho. Obrigado, Mãe!

Todos os dias regresso a ti

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Eu tenho medo de que as pessoas pensem que eu só me lembro de ti agora, ou quando me recordo que tu partiste, mas na verdade elas não sabem que eu regresso a ti todos os dias. (a propósito, o Tero desta vez não fez anos, pois o ano não é bissexto! Este ano és só tu que fazes.)                                              “Mãe, minha mãe:                                                não te pese saudade                                               que eu voltarei sempre                           ...

O velho comunista olhado por um tipo de direita

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A ideia de escrever sobre o velho comunista já tem algum tempo. Nasceu numa viagem que fiz à festa do “Avante!”. Durante algum tempo servi de motorista a dois velhos comunistas, já algo cansados, que não tinham capacidade para ir “à Festa”, como eles dizem, sozinhos. Ir à “Festa do Avante!”, eu que sou assumidamente de direita, não me preocupa. É um local aprazível, de convívio, com iniciativas interessantes e outras nem por isso. Encontro pessoas de uma área política nos antípodas da minha, algumas que se tornaram minhas amigas, que me respeitam, com algum paternalismo. E diga-se, em abono da verdade, que não tenho que esconder os meus pensamentos liberais!    Numa dessas viagens fiquei fascinado pela história de vida do velho comunista. Após um início de conversa de surdos, em que eu afirmava que aquela cor era preta e o velho comunista afirmava que aquela cor era branca, rapidamente me apercebi que a conversa não levava a lado nenhum e que estaria a perder uma oportun...

A avó do peru

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Escrever sobre os nossos avós, depois de eles partirem, é sempre doloroso, mas acreditem que ainda é mais doloroso para mim. O sentimento de perda foi-se desvanecendo e foi crescendo um sentimento de culpa, que me perturba. Serão a escrita e a partilha a poção mágica para exorcizar esta sensação que me esmaga? No caso da “minha avó do peru”, a dor intensa foi causada pela impaciência e pela pressa com que todos os jovens vivem a sua adolescência e início da vida adulta. Não me permiti aproveitar, com o carinho que ela merecia, a sua sabedoria e a sua doçura. Era a pressa de chegar a Ofir, porque tinha pressa de vir de Ofir. Era a impaciência de não querer parar no caminho para comprar legumes nas vendedoras de estrada junto à Estela, era ralhar porque se demorava mais a arranjar quando a íamos buscar aos domingos, para almoçar em nossa casa. Pior, era não dedicar muito tempo a ouvi-la. Se eu pudesse voltar atrás… (eu tenho vivido com este remorso, apesar de saber que ela me p...

A tesoura dos porcos

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A chegada do camião dos porcos era um rebuliço. Estacionado em contramão, à porta da casa do meu Avô, e logo tratavam de colocar o estrado e os taipais. O estrado tinha umas pontas metálicas, em forma de gancho, que se seguravam na carroceria. Depois, encaixavam-se os taipais, para que os porcos não caíssem ou fugissem pelas laterais. Aberta a portinhola, era vê-los a descer. Eles iam de enfiada para os currais, que ficavam à esquerda, depois da adega, por debaixo da eira. Os últimos a serem descarregados eram os cansados, que ficavam numa divisão especial, que se situava a meio do camião, num patamar mais elevado. Os porcos são uns animais muito peculiares. Se teimam, não arredam pé e não avançam. Indo o primeiro, vão todos atrás! Eu adorava ver este verdadeiro trabalho de equipa do meu Pai e dos seus empregados, debruçado na janela da sala de jantar, ou mesmo no quintal, logo à esquerda, onde estava o tanque de lavar a roupa, uma espécie de quinta da Tia Alice. Esta fase qu...

O Quelhas

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O Arturito é descendente de “Vareiros”, por parte do meu Avô Artur, que já vos apresentei, e “Badanas”, por parte na minha Avó Aida, que nos deixou no ano em que eu nasci. A alcunha de “Vareiros”, segundo reza a história oral da minha família, advém de um ascendente meu, que não posso precisar se era o meu bisavô ou o meu trisavô. Este meu antepassado terá sido uma espécie de almocreve, que vendia peixe de terreola em terreola. Já a alcunha de “Badanas” é uma incógnita para mim. Agradecerei empenhadamente a algum leitor desta crónica que me consiga esclarecer.… A prole dos Badanas em S. Mamede Infesta ainda era extensa. A primeira “Badana” que me vem à cabeça é a minha bisavó, que era tratada por “Avó Bisa”, a Ana Badana. Retenho, na minha memória, as idas a casa da Tia Glória e da Ceusita para a ver.  (Tio Quim, Tia Fernanda, Tia Glória, Tia Alice, Avó Aida Avó Bisa, Avô Quelhas) A minha Tia Isabel, que durante muitos anos foi uma espécie de governanta da minha casa, também ...

A aposta

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As horas de almoço, na minha casa, eram muito preenchidas. A Nina (era assim que o meu Pai tratava a minha Mãe) preparava o almoço, o almoço corria tranquilo, mas lá pela uma e meia da tarde começava o corrupio de gente a assistir ao café. Fazer o café na minha casa era um ritual. A Nina fazia café de balão e nós assistíamos ao subir da água e ao descer do café. Colocava a água no balão, acendia a lamparina e esperava que a água subisse. Quando a água estava toda na parte de cima, dava umas mexidelas com uma pequena colher de pau, retirava a lamparina e, pacientemente, o café descia. No entretanto, o aroma daquele café aquecia-nos a alma! A sala onde fazíamos as refeições era ao lado da sala de jantar, que estava reservada para datas mais festivas. A sala era um pouco estreita e, claro está, a minha mãe ficava mais perto da cozinha e o Arturito na outra ponta. Esta sala permitia-nos abraçar o jardim, povoado de roseiras e hidranjas que a Nina tratava com o mesmo carinho com que tra...

Aos homens não se oferecem poemas.

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Aos homens não se oferecem poemas. Oferecer poemas é como oferecer flores e só as Mulheres da nossa vida têm direito a receber flores. Também não interessa porque, afinal de contas, o Arturito não era um homem de grandes leituras. Aliás, ele não teve sequer tempo para se dedicar a isso. Recordo, a este respeito, uma carta que enviou a Eduardo Soares, seu irmão (“não sendo de sangue é-o de peito”), em 25 de agosto de 1950, então com dezassete anos, que dizia “Eu, como sempre, tenho muito que fazer e este ano não me vão dar férias, o que é um pouco aborrecido”. As suas leituras eram as viagens de comboio para ir a feiras semanais e “às portas”, ainda adolescente. No regresso era preciso assegurar que naqueles vagões não se perdiam animais. Animais que depois era preciso guiar desde a estação até à casa do meu Avô e depois para os matadouros da Maia, do Porto ou de Matosinhos. Sempre a pé. Começou a trabalhar novo e novo se viu obrigado a lutar, logo no início dos anos sessenta. N...

A angústia de um marido casado com uma Professora

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Confesso-te que nos anos anteriores me divertia a ver a tua preocupação com o início do ano letivo. Recordo que ainda o ano letivo anterior não tinha acabado e já estavas a preparar o seguinte. Lá pelos finais de julho encontrávamos-te, pensativa, a olhar para o teu escritório, a ver que volta lhe havias de dar para que a tua inspiração fluísse da melhor forma. Quando ouvia “João, estou a pensar….” só me apetecia fugir sorrateiramente, mas lá vinha uma secretária para eu arrastar. Agosto dentro já te preocupavas com a preparação de materiais novos. Que raio, dizíamos nós, todos os anos dás as mesmas matérias, mas todos os anos fazes materiais novos! No início de setembro o problema era o horário escolar que recebias, com “furos” no meio e que tu tentavas melhorar. Depois vinha o pedagógico, a coordenação, enfim, uma infinidade de problemas (e de soluções) que tu inventavas. Mas tudo isto me divertia. A sério! Este ano não. Estou angustiado por causa de um vírus que insiste ...

O Pai Piu-Piu e a gaiola encantada

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Era uma vez o Pai Piu-Piu e a sua gaiola encantada. A gaiola encantada tem três piu-piuzinhas, cada qual a mais del icada. A Mãe Piu-Piu é uma piu-piuzinha perseverante, trabalhadora, que traz o ninho sempre arranjandinho, onde não falta uma alpista de qualidade! Fora da gaiola é muito competente naquilo que faz, e os outros passarinhos gostam muito dela. Até chilrea Fernado Pessoa! Contudo, também tem as suas fraquezas, nunca cuida muito da sua saúde, é muito teimosa e, às vezes, muito poucas vezes, ralha por tudo e por nada. Mas sempre uma grande piu-piuzinha. A piu-piuzinha Maria é o espelho da Mãe Piu-Piu. O seu coração é de manteiga, é muito boa aluna, e, muito importante, faz da solidariedade e da amizade um sentimento do dia-a-dia. O Pai Piu-Piu tem muita inveja desta piu-piuzinha, pois gostava de ter sido, ou melhor, de ser, como ela. Mas ele está a mudar! Resta falar da piu-piuzinha Joana. Uma doçura de piu-piuzinha, muito redondinha e de uma beleza serena,...

Natal em Alter do Chão

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Num dia especial, onde deveriam reinar a Paz e a Fraternidade, onde, pelo menos por uma vez, não deveríamos fazer sofrer ninguém, mais uma criança foi abruptamente retirada dos seus pais afectivos. Enfim, a justiça é cega. Neste dia, o meu Natal mudou-se para Alter do Chão. Foi uma mudança tranquila a que o bacalhau e o Bolo-rei resistiram. Digamos que não foi uma consoada tipicamente alentejana, onde o jantar é normal e pela meia-noite se grelha ou frita marrã . Mas foi uma noite bonita, onde não faltou a fogueira e a Missa do Galo. PS: O Castelo de Alter do Chão estava lindamente iluminado. Vai ser inaugurado em Abril. Vai valer a pena visitar.

Are you happy, Mr. Bush?

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And you, Mr.José Manuel Durão Barroso? "Al menos 250 personas han muerto y más de 300 han resultado heridas en una cadena de atentados suicidas sincronizados al norte de Irak" El Pais, 15.08.07

Os exames nacionais

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No segundo dia de exames nacionais. A prova a aferir é de Biologia. Mas que fosse de História, ou de Matemática, ou de Português. O ritual é sempre cinzento. Chegar à escola, assinar a presença, receber as instruções de exame, dirigir à sala. Olho os alunos naqueles instantes iniciais. Reunem-se à porta da sala, inquietos, como animais à espera da hora final. Muitos sonhos serão desfeitos quando entrarem na sala. Foram mal preparados ou prepararam-se mal, os nervos acumulam-se e a asneira flui das canetas para as folhas de exame. Depois, e isso eles não sabem, vão ser classificados por professores mal preparados ou que se prepararam mal, que pouco se importam com o sucesso e o futuro dos outros. E os professores bem preparados passam incógnitos no meio da avalanche. Sem nenhum prémio.

Vítor Baía

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O futebol não vai ser o mesmo. O melhor guarda-redes de sempre deixou de jogar. Para mim, este é o meu momento mais triste enquanto adepto incondicional do Futebol Clube do Porto. Baía fica como exemplo do que deve ser um desportista. É um grande Homem! Viva Vítor Baía!

Para a Joana...

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Os primeiros dezoito anos do resto da minha vida. Sabes, Joana, tenho este desafio de escrever para ti nesta data importante da tua vida. É uma tarefa difícil e vai ser necessariamente curta. É sempre difícil escrever quando a emoção nos tolhe as ideias, quando queremos descrever a felicidade que é ter uma filha como tu e as palavras não saem. A nossa história, Joana, começou muitos anos atrás, numa história de amor de dois meninos. Eu tinha dezasseis anos e a tua mãe catorze. Fomos sendo felizes à medida que a vida nos ia proporcionando felicidade. E foi assim durante muitos anos. Achava eu que era quanto bastava para ser feliz. Estava enganado! A verdadeira felicidade desabrochou quando nasceram aqueles 4040 gramas de carne com 52 cm de comprimento! Nasceu a primeira menina da família. Eras o encanto de todos. Não consigo esquecer-me da tua avó Pepa, da sua felicidade por finalmente ter a sua menina. Eu sei que neste teu percurso, em algumas ocasiões fui injusto contigo, noutras não ...

E não é que eles mereceram!

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E não é que eles mereceram! Esta frase vale para os dois clubes. Um mereceu ser humilhado, porque desrespeitou mais de 30.000 adeptos. O outro mereceu porque foi humilde, trabalhou e não esperou a sorte, procurou-a. Amanhã vai ser um dia difícil, vai ser muito deprimente receber aquele sorriso malicioso que nos vai trespassar a alma. Mas um verdadeiro dragão não desanima!